Olá Pessoas. Há quanto tempo!
Esse rapazinho aí em cima é o simpático Benedito, que faz parte do Projeto Da Consciência à Ação idealizado pela @marisacruz e no qual faço uma pequena participação.
Nas minhas andanças pela periferia de São Paulo trabalhando pelas Oficinas Culturais da Secretaria de Estado da Cultura ou pelo projeto do Benedito, tive a oportunidade de um contato consistente com crianças e jovens de escolas públicas. E isso me faz lembrar dos meus tempos de estudante.
Fiz o "primário", equivalente hoje às 5 primeiras séries do ensino fundamental em uma belíssima e excelente escola católica. Salas amplas arejadas e limpas, disciplina e bons modos valorizados e respeito a pais e professores tão obviamente esperados que nem era preciso "trabalhar" o assunto, ele fluía tão natural quanto nossa respiração.
Ao final das 4 primeiras série, já se sabia que as escolas públicas eram melhores, assim, meus pais me transferiram para uma grande escola perto de casa, como era de costume. Boas instalações, bons professores.
Nos 5 anos que se seguiram, as coisas começaram a mudar com certa rapidez e quando mudei de grau e de escola para cursar o "colegial" atual ensino médio, disciplina e respeito já não faziam tanto sucesso e isso incluía a derrocada das instalações das escolas.
Mas nada que se compare ao que vemos hoje em dia.
Contei essa história para que vocês entendam meus próximos comentários.
Pois bem, nas andanças de que falei acima, conheci vários CEUS (Centros Educacionais Unificados) da Prefeitura de São Paulo. Se quiserem conhecer mais sobre esses equipamentos públicos acessem o site
http://portalsme.prefeitura.sp.gov.br/Anonimo/CEU/apresentacao.aspx?MenuID=159&MenuIDAberto=135
Não vou ficar discutindo aqui o pai da criança. Todos sabemos que esse modelo de escola começou no Rio de Janeiro com os chamados Brizolões (de Leonel Brizola) que pretendia aproximar nossas escolas dos modelos estrangeiros em que as crianças passam várias horas por dia aos cuidados das instituições.
Não sei o fim da história no Rio, ou como vão as coisas por lá.
Aqui, aos trancos e barrancos, a coisa tem andado.
O que me impressiona é pensar que qualquer um de nós, os com mais de 40 anos que estudaram lá atrás em escolas públicas ou privadas, adoraríamos ter estudado em escolas semelhantes aos CEUS de São Paulo.
Aquilo parece o céu mesmo! É tudo muito bonito e bem cuidado, há tudo o que se possa pensar em matéria de educação, esporte e cultura.
Os CEUS estão instalados em áreas bastante periféricas e muitos ficam dentro ou muito próximo a favelas atendendo um número enorme de famílias.
Imagino que para muitas delas seja um grande alívio ter onde deixar suas crianças enquanto trabalham.
Não acredito que o fato de um jovem passar muitas horas na escola tenha outra função alem de proporcionar à ele oportunidades de formação integral. Se não for assim, não faz sentido.
Agora, é claro que não é o resultado que vem sendo obtido. E não adianta discutir porque eu não vou mudar de opinião.
Não estou dizendo que este não é o objetivo dos envolvidos neste Projeto. É sim. Mas aí esbarra-se em todas aquelas questões de que falo sempre aqui, no http://deamaliaazeppelin.blogspot.com ou em qualquer lugar onde o assunto surja.
Me impressiona que os responsáveis por essas instalações tenham problemas em fazer com que muitos alunos não ajam como vândalos destruindo os equipamentos.
Esses alunos e seus pais, precisam entender que neste país, quando se obtém algo bem feito, algo importante, deve-se mantê-lo, brigar por sua continuidade e por sua conservação.
Precisam entender que nada daquilo é "de graça". É público. Mas isso significa que é pago e em geral muitíssimo bem pago por eles mesmos através do pagamento de impostos.
Aí, fica a pergunta:
SERÁ O BENEDITO que ninguém vai dar um jeito nisso?
Olá Classe!
Este blog é um espaço para relatos de experiências, discussões e troca de informações para todos os interessados em Educação, essa tarefa indispensável para a sobrevivência de uma nação.
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
A educação que eu quero
Por hoje, começo falando do quanto acho lamentável que este blog esteja "sem assunto" há quase 3 meses.
Muitos foram convidados a colaborar aqui, pouquíssimos o fizeram. É pena.
Falamos muito em educação por todos os canais possíveis, mas as estatísticas e especialmente o dia a dia nos mostram que nada acontece de bom.
Mesmo aqueles poucos casos de avanço no Brasil, em poucos locais, não nos dão a certeza de algo consistente nem ao menos suficiente.
Alardeia-se ultimamente o ensino técnico como a salvação da educação.
Sinto muito mas discordo. O ensino técnico que já foi muito bom no Brasil entre os anos 60 e 70, não vai suprir nossas necessidades educacionais. Ao menos não na educação que eu quero.
A formação técnica pode nos dar excelentes especialistas em determinadas áreas, mas não fornece a esses alunos e profissionais os elementos necessários para usurfruir daquilo que eu chamo de educação.
Educação é aquela coisa que te permite olhares diversos sobre muitos assuntos, que te dá condições de ir atrás de informação, de soluções e de novas buscas.
Ela também te faz entender que há opiniões divergentes que podem não estar erradas.
Afasta de você (é obvio) a ignorância e os atos cometidos em nome dela.
Torna você um ser mais adaptável, mais tolerante e mais colaborativo. Você passa a construir. E destruir, passa a ser menos atrativo ou produtivo.
Educar é ampliar horizontes, estimular a curiosidade, desenhar preferências e habilidades que pelo prazer que proporcionam levam ao aperfeiçoamento.
Esta é a educação que eu quero.
E você?
Muitos foram convidados a colaborar aqui, pouquíssimos o fizeram. É pena.
Falamos muito em educação por todos os canais possíveis, mas as estatísticas e especialmente o dia a dia nos mostram que nada acontece de bom.
Mesmo aqueles poucos casos de avanço no Brasil, em poucos locais, não nos dão a certeza de algo consistente nem ao menos suficiente.
Alardeia-se ultimamente o ensino técnico como a salvação da educação.
Sinto muito mas discordo. O ensino técnico que já foi muito bom no Brasil entre os anos 60 e 70, não vai suprir nossas necessidades educacionais. Ao menos não na educação que eu quero.
A formação técnica pode nos dar excelentes especialistas em determinadas áreas, mas não fornece a esses alunos e profissionais os elementos necessários para usurfruir daquilo que eu chamo de educação.
Educação é aquela coisa que te permite olhares diversos sobre muitos assuntos, que te dá condições de ir atrás de informação, de soluções e de novas buscas.
Ela também te faz entender que há opiniões divergentes que podem não estar erradas.
Afasta de você (é obvio) a ignorância e os atos cometidos em nome dela.
Torna você um ser mais adaptável, mais tolerante e mais colaborativo. Você passa a construir. E destruir, passa a ser menos atrativo ou produtivo.
Educar é ampliar horizontes, estimular a curiosidade, desenhar preferências e habilidades que pelo prazer que proporcionam levam ao aperfeiçoamento.
Esta é a educação que eu quero.
E você?
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Olá Classe!: Dia do Professor
Olá Classe!: Dia do Professor: Não poderia deixar passar em branco o Dia do Professor aqui no Olá Classe, que afinal, foi criado para abrir mais um espaço para ...
Dia do Professor
Não poderia deixar passar em branco o Dia do Professor aqui no Olá Classe, que afinal, foi criado para abrir mais um espaço para discutirmos e opinarmos sobre educação.
Quero dar os parabéns aos professores que por aqui passarem.
Vemos muitas notícias sobre reivindicações salariais, registros de classes incontroláveis e outras problemáticas da educação atual. Não que elas não sejam reais. Elas são, e todos sabemos disso.
Sabemos também que não são responsabilidade exclusiva dos professores e suas escolas, são fruto de anos de uma geração que se perdeu das normas, da ideia do equilíbrio entre direitos e deveres.
Mas não são esses aspectos da vida do professor que me fazem pensar hoje.
O Dia do Professor me traz lindas lembranças de mestres que tive durante a vida.

Teve a professora do 1º ano, doce, carinhosa mas extremamente exigente, D. Bernadete.
Aí veio D. Marlene, excelente mestra que além de suas obrigações pedagógicas nos apresentou lá nos longínquos 3º e 4 anos as dificuldades de lidar com preconceitos. Ela, branca, tinha um namorado negro!
Mais tarde, muitos outros marcaram suas presenças na minha vida. O "maluco" do professor de Artes, Sr Lourenço, que "vivia no mundo da lua", o de física, muito jovem e bonito que tinha dificuldades em nos fazer prestar atenção na matéria! O de história, Prof. Colbert, que além de nos passar o conteúdo de sua disciplina, nos falava da importância de conhecermos a história, inclusive a nossa própriaa. Ah claro! havia Madame Matilde, a de francês, que não admitia uma palavra de português em suas aulas.
Não sei se vocês notaram, mas me refiro à eles como Dona, Sr., Prof.... havia respeito à sua posição. Mas ele não era conquistado apenas pelo título, mas por suas atitudes, pelo seu conhecimento genuíno, por seu preparo e por seu real empenho em nos transmitir conhecimento ao mesmo tempo que valorizavam nossas conquistas e nos repreendiam por eventuais desleixos.
Esse respeito também nos era transmitido pelos nossos pais, que "vendiam" a imagem do professor, como alguém extremamente importante em nossas vidas.
Ou seja, a colaboração escola-família era espontânea, não vinha de decretos.
Depois vieram inesquecíveis mestres na faculdade e na pós graduação, esses porém, eram "menos distantes" de nós, afinal, éramos todos adultos, mas o respeito ainda estava lá, de ambas as partes.
Agradeço a todos eles, de coração.
Minha geração também guarda na lembrança aqueles que criavam caminhos para que nossos professores nos guiassem: os autores de livros didáticos usados por anos a fio, com pequenas alterações entre as edições. Isto hoje não acontece mais, parece que há outros interesses envolvidos além de um bom, firme e relevante conteúdo nos livros adotados.
Me lembro de muitos até hoje: Branca Alves de Lima e seus cartilha e livro "Caminho Suave", Celso Antunes em Geografia, Amabis Martho e Mizuguchi na Biologia, Henry Ey na psiquiatria e os incríveis Faraco e Moura na língua e literatura brasileiras.
Houve muita gente em nossa vida escolar, professores aos quais amamos ou odiamos pelo que nos faziam sentir. Pelas lutas que travávamos com nossas habilidades e dificuldades.
Com o passar dos anos, o que fica é a saudade, um amor genuíno por tudo que nos deram.
Aos professores de hoje, sugiro refletirem sobre a importância de seu papel.
Lecionar, não é uma atividade como outras tantas. È algo muito especial, cria os alicerces de vidas que por sua vez, constroem as nações!
Façam seu trabalho de uma maneira que daqui a 20, 30 anos, alguém escreva algo parecido com este texto, falando de vocês!
Desejo a todos os Professores um dia feliz e cheio de boas lembranças sobre os que lhe deram formação e sobre sua própria performance.
Parabéns!
http://www.youtube.com/watch?v=2U-nM8Tp78Q
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Reflexões sobre Educação
Antigamente era assim : pais e professores eram as autoridades maiores na vida de crianças, adolescentes e até adultos jovens. Enquanto não se tornassem pais, os filhos dificilmente questionavam essas figuras. Mesmo depois, um olhar de questionamento ou reprovação deles dizia tudo e pensava-se seriamente em uma mudança de rumo.
Ainda havia outras figuras de autoridade a serem respeitadas como os sacerdotes, os policiais, os médicos, os advogados e tantos outros.
Pessoas que estudaram até os anos 40, começo de 50, relatam (com um sorriso saudoso nos lábios) que desvios de norma ou falhas de aprendizagem eram punidos com algum tempo ajoelhado no milho, com a palmatória ou com repetições intermináveis das lições não compreendidas. Ainda lidava-se com as reprimendas dos pais que eram comunicados pela escola, em geral pela diretora ou professora que era aquela vizinha da casa bonita lá na esquina.
Essas mesmas pessoas aprenderam (em geral muito bem) a língua pátria, sua origem, o latim, sabiam as capitais dos Estados, dos países, tinham como definitivos os registros da história. Faziam cálculos matemáticos "de cor e salteado", usavam coisas como a tabela Price. Ou seja, aprendiam. E aprendiam , não tenho medo de dizer, mais do que quem chega hoje ao ensino médio, ao menos na maioria das escolas.
De meados de 50 até 70, a coisa já era um pouco diferente, embora a questão do respeito à autoridade ainda fosse levado muito à sério. Mas, começaram a questionar a utilidade de alguns conteúdos como o latim, os conceitos de moral e civismo e com o boom da psicologia e dos estudos da pedagogia, "suavizou-se" a questão da disciplina, dos castigos e punições pelo desempenho ruim tanto em aprendizado como em comportamento. As pessoas ainda aprendiam, mas já bem menos do que na geração anterior.
Já eram visíveis as diferenças entre escolas públicas e privadas. Enquanto até o começo dos 70 as públicas eram as melhores e as mais concorridas crescia o número de escolas particulares que traziam inovações pedagógicas.
As escolas públicas já não existiam em número suficiente para todos, os primeiros relatos de insatisfação com salários começaram a surgir. Nas particulares (não todas é claro) um sobrenome importante, ou apenas uma grande conta bancária, passavam a ser passaporte para a aprovação.
No meio disso, houve a necessidade de que a maioria das mães entrassem no mercado de trabalho. Mais ausentes e ocupados, os pais passaram a não mais acompanharem de perto os atos e fatos da vida escolar dos filhos. Os filhos, por sua vez, relaxaram um pouco na auto exigência. Faziam o necessário para a aprovação.
À essa altura do campeonato, as figuras de autoridade foram perdendo terreno. Um "delito" comportamental ignorado somava-se a outro e mais outro. Ainda havia alguma conversa sobre respeito e coisa e tal, mas ela já não surtia um efeito duradouro. Jovens de boa parte do país, transferiram a ideia de admiração e respeito pelas autoridades habituais, para aquelas mostradas pelo cinema, pelas letras das músicas que difundiam ideias sobre o que era ser importante, o que era "bacana", "legal". E nesses novos conceitos não havia espaço para aquele comportamento antigo.
Nas escolas, ainda se optava pela área de estudo preferida: biológicas, humanas, exatas, magistério... e seguia-se ao menos em assuntos que interessavam a cada um.
Com vistas ao crescimento do país, ao assemelhar-se ao mundo desenvolvido, as mudanças começaram a acontecer cada vez mais rapidamente.Principalmente nas escolas públicas que começaram a se multiplicar para atender a demanda, a sobrecarregar os professores com um número cada vez maior de alunos por sala. As instalações já não eram mais tão bem cuidadas e os currículos foram mais e mais modificados, tornando-se restritos ao que parecia absolutamente necessário.
Nas particulares, o crescimento de novas técnicas tomavam forma, formavam bons alunos que também tinham melhores condições econômicas e que portanto, ocupavam os bons postos de trabalho ao final dos estudos. Mas a cada ano, esses privilegiados eram em menor número.
De meados de 70 em diante, sabe-se lá o que aconteceu! Pais atarefados e professores sobrecarregados perderam a capacidade de dialogar e dividir responsabilidades. Já não se sabia mais o que era melhor aprender. Disciplinas eram substituídas, reintegradas e descartadas de tempos em tempos. Ou seja, irmãos por exemplo, já não recebiam a mesma formação.
Paralelamente, a legislação sobre direitos "evoluiu" chegando lá pelo final dos 80 ao ápice da interferência legal na educação de jovens e adolescentes. A psicologia e a pedagogia, vão tornaram-se contrárias a qualquer tipo de "opressão" e liberdade é a palavra da vez. Pais sentem-se envergonhados e professores proibidos de repreender ou punir alunos. As crianças e os jovens, claro, sentiram´-se cada vez mais à vontade para agir da forma que quisessem....
E quem na infância e na adolescência gosta ou almeja dedicar´se horas aos estudos ou dizer um sim, mesmo que a contra gosto às exigências e diretrizes dos pais?
As coisas foram invertidas (la por meados de 80) ao ponto de vermos pais discutindo com professores por terem sido muito rigorosos na avaliação de alunos, pais que executam tarefas no lugar dos filhos, de forma claríssima mas ignoradas por professores....Junte-se à isso a aprovação continuada e a Lei que impede pais e professores de "molestar" seus filhos com um tapa ou um discurso de horas que permite ao filho acusá-lo de repressor, aquele que traumatiza o pobre coitado que só quer beber álcool aos 14, viajar com amigos aos 15, chegar em casa às 3....
Onde foram parar as figuras de autoridade de que falei lá no começo?
Bem, os pais de hoje, pouco sabem da vida dos filhos, afinal apesar de muni-los de fontes de comunicação, estão sujeitos à sua capacidade e coragem em mentir sobre onde estão, com quem ou fazendo o que querem.
Professores perderam-se nas teorias de ensino que lhes foram impostas mas das quais não conseguem uma folha inteira de justificativas de aplicação. Também estão proibidos de reagir às agressões físicas e verbais a que estão expostos continuamente.
As outras figuras de autoridades como medicos, políticos, sacerdotes, advogados estão hoje nas páginas de escândalos quando não nas policiais.
Aí, hoje tive contato com um "Programa de educação em Valores Humannos" , para ser ensinado nas escolas. Tudo bem, acho o instrumento válido e do jeito que a coisa está um bom caminho. Mas faz sentido necessitarmos disso? Vivenciar o dia dia baseados em valores humanos não é uma condição mínima para nos considerarmos isso, seres humanos?
Por mais que eu queira, não consigo ser otimista diante de tamanha degradação.
Ainda havia outras figuras de autoridade a serem respeitadas como os sacerdotes, os policiais, os médicos, os advogados e tantos outros.
Pessoas que estudaram até os anos 40, começo de 50, relatam (com um sorriso saudoso nos lábios) que desvios de norma ou falhas de aprendizagem eram punidos com algum tempo ajoelhado no milho, com a palmatória ou com repetições intermináveis das lições não compreendidas. Ainda lidava-se com as reprimendas dos pais que eram comunicados pela escola, em geral pela diretora ou professora que era aquela vizinha da casa bonita lá na esquina.
Essas mesmas pessoas aprenderam (em geral muito bem) a língua pátria, sua origem, o latim, sabiam as capitais dos Estados, dos países, tinham como definitivos os registros da história. Faziam cálculos matemáticos "de cor e salteado", usavam coisas como a tabela Price. Ou seja, aprendiam. E aprendiam , não tenho medo de dizer, mais do que quem chega hoje ao ensino médio, ao menos na maioria das escolas.
De meados de 50 até 70, a coisa já era um pouco diferente, embora a questão do respeito à autoridade ainda fosse levado muito à sério. Mas, começaram a questionar a utilidade de alguns conteúdos como o latim, os conceitos de moral e civismo e com o boom da psicologia e dos estudos da pedagogia, "suavizou-se" a questão da disciplina, dos castigos e punições pelo desempenho ruim tanto em aprendizado como em comportamento. As pessoas ainda aprendiam, mas já bem menos do que na geração anterior.
Já eram visíveis as diferenças entre escolas públicas e privadas. Enquanto até o começo dos 70 as públicas eram as melhores e as mais concorridas crescia o número de escolas particulares que traziam inovações pedagógicas.
As escolas públicas já não existiam em número suficiente para todos, os primeiros relatos de insatisfação com salários começaram a surgir. Nas particulares (não todas é claro) um sobrenome importante, ou apenas uma grande conta bancária, passavam a ser passaporte para a aprovação.
No meio disso, houve a necessidade de que a maioria das mães entrassem no mercado de trabalho. Mais ausentes e ocupados, os pais passaram a não mais acompanharem de perto os atos e fatos da vida escolar dos filhos. Os filhos, por sua vez, relaxaram um pouco na auto exigência. Faziam o necessário para a aprovação.
À essa altura do campeonato, as figuras de autoridade foram perdendo terreno. Um "delito" comportamental ignorado somava-se a outro e mais outro. Ainda havia alguma conversa sobre respeito e coisa e tal, mas ela já não surtia um efeito duradouro. Jovens de boa parte do país, transferiram a ideia de admiração e respeito pelas autoridades habituais, para aquelas mostradas pelo cinema, pelas letras das músicas que difundiam ideias sobre o que era ser importante, o que era "bacana", "legal". E nesses novos conceitos não havia espaço para aquele comportamento antigo.
Nas escolas, ainda se optava pela área de estudo preferida: biológicas, humanas, exatas, magistério... e seguia-se ao menos em assuntos que interessavam a cada um.
Com vistas ao crescimento do país, ao assemelhar-se ao mundo desenvolvido, as mudanças começaram a acontecer cada vez mais rapidamente.Principalmente nas escolas públicas que começaram a se multiplicar para atender a demanda, a sobrecarregar os professores com um número cada vez maior de alunos por sala. As instalações já não eram mais tão bem cuidadas e os currículos foram mais e mais modificados, tornando-se restritos ao que parecia absolutamente necessário.
Nas particulares, o crescimento de novas técnicas tomavam forma, formavam bons alunos que também tinham melhores condições econômicas e que portanto, ocupavam os bons postos de trabalho ao final dos estudos. Mas a cada ano, esses privilegiados eram em menor número.
De meados de 70 em diante, sabe-se lá o que aconteceu! Pais atarefados e professores sobrecarregados perderam a capacidade de dialogar e dividir responsabilidades. Já não se sabia mais o que era melhor aprender. Disciplinas eram substituídas, reintegradas e descartadas de tempos em tempos. Ou seja, irmãos por exemplo, já não recebiam a mesma formação.
Paralelamente, a legislação sobre direitos "evoluiu" chegando lá pelo final dos 80 ao ápice da interferência legal na educação de jovens e adolescentes. A psicologia e a pedagogia, vão tornaram-se contrárias a qualquer tipo de "opressão" e liberdade é a palavra da vez. Pais sentem-se envergonhados e professores proibidos de repreender ou punir alunos. As crianças e os jovens, claro, sentiram´-se cada vez mais à vontade para agir da forma que quisessem....
E quem na infância e na adolescência gosta ou almeja dedicar´se horas aos estudos ou dizer um sim, mesmo que a contra gosto às exigências e diretrizes dos pais?
As coisas foram invertidas (la por meados de 80) ao ponto de vermos pais discutindo com professores por terem sido muito rigorosos na avaliação de alunos, pais que executam tarefas no lugar dos filhos, de forma claríssima mas ignoradas por professores....Junte-se à isso a aprovação continuada e a Lei que impede pais e professores de "molestar" seus filhos com um tapa ou um discurso de horas que permite ao filho acusá-lo de repressor, aquele que traumatiza o pobre coitado que só quer beber álcool aos 14, viajar com amigos aos 15, chegar em casa às 3....
Onde foram parar as figuras de autoridade de que falei lá no começo?
Bem, os pais de hoje, pouco sabem da vida dos filhos, afinal apesar de muni-los de fontes de comunicação, estão sujeitos à sua capacidade e coragem em mentir sobre onde estão, com quem ou fazendo o que querem.
Professores perderam-se nas teorias de ensino que lhes foram impostas mas das quais não conseguem uma folha inteira de justificativas de aplicação. Também estão proibidos de reagir às agressões físicas e verbais a que estão expostos continuamente.
As outras figuras de autoridades como medicos, políticos, sacerdotes, advogados estão hoje nas páginas de escândalos quando não nas policiais.
Aí, hoje tive contato com um "Programa de educação em Valores Humannos" , para ser ensinado nas escolas. Tudo bem, acho o instrumento válido e do jeito que a coisa está um bom caminho. Mas faz sentido necessitarmos disso? Vivenciar o dia dia baseados em valores humanos não é uma condição mínima para nos considerarmos isso, seres humanos?
Por mais que eu queira, não consigo ser otimista diante de tamanha degradação.
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Educação sempre me surpreende!
É incrível, mas o assunto educação sempre me surpreende.
Nunca sei exatamente o que vem pela frente.
No momento, vivo duas situações.
Numa, descubro que mesmo pessoas extremamente bem preparadas, conhecedoras dos seus temas, não percebem ou não compreendem a importância de seus ensinamentos na vida das pessoas.
É como se soubessem que o que fazem é bom, mas não soubessem para o que serve, o que é capaz de acrescentar.
E isso em um mundo onde jovens, crianças e até professores não sabem muito como prosseguir é péssimo.
Todo aquele que de alguma forma tem o objetivo de transmitir conhecimento, precisa buscar bases pessoais mais sólidas, para compreender-se e compreender o outro. Terapia talvez? Sei lá, só sei q algo tem que ser feito.
A outra situação é perceber em crianças de 9, 10, 11 anos, interesse pelo conhecimento ofertado.
Estamos acostumados a ouvir que nossas crianças são incontroláveis e desinteressadas.
Mas tenho tido provas de que não é bem assim.
Eles se interessam (apesar da hiperatividade generalizada), mas me parece que não encontram respaldo para o tal interesse.
Os pais, precisam ouvir as "descobertas" dos filhos.
Professores, tem que acreditar, apesar de tudo, em seu próprio trabalho.
Pensem um pouco, sobre como vc busca resultados.
Todos somos responsáveis.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
A Arte na Educação
Acredito sinceramente no papel da arte na construção de uma vida melhor.
Todos as expressões artísticas promovem uma mobilização interna que expande nossa percepção do mundo.
E esse "upgrade" pessoal é capaz de promover grandes transformações em nossa relação com as pessoas e com a vida.
Por exemplo, Caetano já disse "como é bom poder tocar um instrumento" Rita Lee "dançar para não dançar"...
E é verdade.
Todos que dançam, cantam, atuam, pintam, esculpem, sabem do prazer que essas atividades são capazes de oferecer.
Muitos veem a arte como algo pertencente a pequenos grupos, o dos endinheirados, o dos muito cultos.
Mas isso não é verdade.
A arte pertence ao mundo, é criação do humano inspirada pelo divino.
Não o divino da religião (embora seja permitido entender assim), mas aquele divino estado de ser, capaz de atravessar fronteiras e tocar a alma, o corpo e a mente de qualquer pessoa.
Além dessa condição primeira da arte, o estado brasileiro tem a preocupação de oferecer acesso à ela para a população em geral, seja na forma de espetáculos e exposições gratuitos ou na forma de ensino de arte.
E é aí que volto à minha questão favorita: EDUCAÇÃO
Tive duas experiências desalentadoras nesta semana ao conversar com artistas multiplicadores de seus saberes junto à população carente.
Eles relataram as dificulddes encontradas para transmitir a alunos de anos finais do ensino fundamental e a idosos os princípios de suas artes Instrumento( violão) e Teatro.
O motivo?
Alguns dos alunos são analfabetos ou analfabetos funcionais.
Como levar alguém que não sabe ler a ter alguma facilidade em conhecer, interpretar e memorizar uma música ou um texto teatral?
E é por isso que insisto tanto em dizer que educação é o fator fundamental a ser observado, analisado e reconstruido pelos governantes.
Assim como dificulta e minimiza os possíveis efeitos do ensino de artes, a falta de educação inibe a busca por direitos elementares e o cumprimento de deveres como o voto de maneira satisfatória.
Os artistas que se depararam com esse obstáculo não vão desistir, mas sabem que terão grandes desafios pela frente e que provavelmente não poderão executar seus projetos com 100% de aproveitamento.
Então, o que vcs me dizem disso?
Todos as expressões artísticas promovem uma mobilização interna que expande nossa percepção do mundo.
E esse "upgrade" pessoal é capaz de promover grandes transformações em nossa relação com as pessoas e com a vida.
Por exemplo, Caetano já disse "como é bom poder tocar um instrumento" Rita Lee "dançar para não dançar"...
E é verdade.
Todos que dançam, cantam, atuam, pintam, esculpem, sabem do prazer que essas atividades são capazes de oferecer.
Muitos veem a arte como algo pertencente a pequenos grupos, o dos endinheirados, o dos muito cultos.
Mas isso não é verdade.
A arte pertence ao mundo, é criação do humano inspirada pelo divino.
Não o divino da religião (embora seja permitido entender assim), mas aquele divino estado de ser, capaz de atravessar fronteiras e tocar a alma, o corpo e a mente de qualquer pessoa.
Além dessa condição primeira da arte, o estado brasileiro tem a preocupação de oferecer acesso à ela para a população em geral, seja na forma de espetáculos e exposições gratuitos ou na forma de ensino de arte.
E é aí que volto à minha questão favorita: EDUCAÇÃO
Tive duas experiências desalentadoras nesta semana ao conversar com artistas multiplicadores de seus saberes junto à população carente.
Eles relataram as dificulddes encontradas para transmitir a alunos de anos finais do ensino fundamental e a idosos os princípios de suas artes Instrumento( violão) e Teatro.
O motivo?
Alguns dos alunos são analfabetos ou analfabetos funcionais.
Como levar alguém que não sabe ler a ter alguma facilidade em conhecer, interpretar e memorizar uma música ou um texto teatral?
E é por isso que insisto tanto em dizer que educação é o fator fundamental a ser observado, analisado e reconstruido pelos governantes.
Assim como dificulta e minimiza os possíveis efeitos do ensino de artes, a falta de educação inibe a busca por direitos elementares e o cumprimento de deveres como o voto de maneira satisfatória.
Os artistas que se depararam com esse obstáculo não vão desistir, mas sabem que terão grandes desafios pela frente e que provavelmente não poderão executar seus projetos com 100% de aproveitamento.
Então, o que vcs me dizem disso?
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